Repulsa;
Expulsa;
Repele;
Expurga;
Re-pulsa, coração.
Moíra Avelino.
Casalamento
O abraço já não era presente, só presença
Posto que os lençóis já não estavam mais revirados
E os corpos eram frios;
E as mentes insalubres.
O gozo morno de um sexo frouxo.
O que antes era nó, hoje corda corroída
Culpa do tempo, talvez
Certamente, não só dele.
Foi-se o que havia
E coisas como essas vão
Sem direito a retorno.
Arte: Casal
por Rogério Fernandes
Esquizofrenia Controlada
Hoje foi um dia difícil
Dia de dopar instintos;
Aquietar sentidos;
Rivotrilizar a alma.
Moíra Avelino.
Veneno
Descendo, sem perspectiva
Nada brota deste solo infértil
O ar é rarefeito e
Sinto o peito apertar
Sufocando l-e-n-t-a-mente meu futuro.
Triste!
Culpa das minhas escolhas
Sempre feitas como se o próximo passo fosse certo.
Errada!
Se hoje a boca é seca e o gosto dos lábios é amargo
Não posso culpar a vida, pois a mim coube
A escolha do frasco.
Moíra Avelino.
Cativa
Você... Usou, traiu, deixou
Deixou de ser, mas não de possuir
Sob a tua guarda- feroz escolta- fiquei
Iludiu, manipulou, mentiu, feriu.
Feriu a ponto de não mais sentir dor
Cada lágrima, tão singular, queimou
Queimou a pele, por dentro corroeu.
Tua identidade era a minha moldura
Uma prisão cercada por muros invisíveis, indestrutíveis
Teu toque minha algema;
Tuas palavras minha venda;
Teu corpo minha política;
Tua existência minha ciência.
Dominação.
Cada poro hermeticamente vedado
A minha privação o teu mundo, a tua felicidade.
Moíra Avelino.
Mo-vi-mento

No silêncio da inquietação noturna
Meus pensamentos voam rasgando o tempo
A procura do seu toque, das palavras.
Meus dedos, em compasso, correm pelo corpo
O pelo enrijece.
Ainda que vazia
Frenético o pulsar dos músculos, todos eles tão meus,
Alcançando o próprio nascer e poente.
Descoberta
Moíra Avelino.

