Hoje foi um dia difícil
Dia de dopar instintos;
Aquietar sentidos;
Rivotrilizar a alma.
Moíra Avelino.
Hoje foi um dia difícil
Descendo, sem perspectiva
Nada brota deste solo infértil
O ar é rarefeito e
Sinto o peito apertar
Sufocando l-e-n-t-a-mente meu futuro.
Triste!
Culpa das minhas escolhas
Sempre feitas como se o próximo passo fosse certo.
Errada!
Se hoje a boca é seca e o gosto dos lábios é amargo
Não posso culpar a vida, pois a mim coube
A escolha do frasco.
Moíra Avelino.
Você... Usou, traiu, deixou
Deixou de ser, mas não de possuir
Sob a tua guarda- feroz escolta- fiquei
Iludiu, manipulou, mentiu, feriu.
Feriu a ponto de não mais sentir dor
Cada lágrima, tão singular, queimou
Queimou a pele, por dentro corroeu.
Tua identidade era a minha moldura
Uma prisão cercada por muros invisíveis, indestrutíveis
Teu toque minha algema;
Tuas palavras minha venda;
Teu corpo minha política;
Tua existência minha ciência.
Dominação.
Cada poro hermeticamente vedado
A minha privação o teu mundo, a tua felicidade.
Moíra Avelino.

No silêncio da inquietação noturna
Meus pensamentos voam rasgando o tempo
A procura do seu toque, das palavras.
Meus dedos, em compasso, correm pelo corpo
Vou e fico ao som dos seus gemidos
Toda ânsia, angústia e dor engolidas pelo furor das mãos
Sufocadas pelo enlace das coxas
Sobrepostos nossos corpos, unidas nossas almas.
Devaneios em suor, palavras e amor
O tempo se perde, o lençol se inverte
As pernas puxam, trancam, repuxam
Os braços em abraços querem estar mais perto
O intangível se desfaz ao encontro dos olhares seguros do desejo
Sentir, possuir, ser!
...
Pós- êxtase
...
A serenidade aflora a medida que o cansaço desliza entre nossos músculos antes ansiosos, tensos, tão rígidos.
Agora e sempre completos, inteiros, únicos.
Moíra Avelino.

A luz da piscina à noite refletindo em seus olhos
Nós dois conversando, tentando evitar olhar nos olhos com medo que a sinceridade floresça
O vinho, o cigarro...
Nossas mãos se perdendo para não se encontrarem
Tinha me esquecido de como é bom perder a noite para ganhar o dia.
E agora?
Os assuntos sumiram, nossos olhos se cruzam, nossas mão se encontram
Seu rosto chegando junto ao meu e o inevitável acontece...
Eu acordo!
Moíra Avelino.
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