Um canto, um colo, um afago, uma verdade, um amor.
Não há espaço para um corpo frio e cansado com uma mente quente e inquieta.
Não há espaço que caiba.

Moíra Avelino.

Vapor

                                                                                   

Fracas tonturas envenenam,
Vagas lembranças torturam
Só no abrir de seus lábios
Encontro a névoa que me cura.

Minha janela, antes cerrada,
Agora em sorriso
Caixilha os seus olhos
De vermelho impreciso.

Os sentidos incitam
Uma lógica tendeciosa
Que fazem de meus dedos nuvens
Em suas nuas costas

Perco-me na cortina
Do seu abraço
Pra não mais fuga,
Não mais cansaço.


Moíra Avelino.


Viés

Repulsa;
Expulsa;
Repele;
Expurga;
Re-pulsa, coração.

Moíra Avelino.

Casalamento


O abraço já não era presente, só presença

Posto que os lençóis já não estavam mais revirados
E os corpos eram frios;
E as mentes insalubres.

O gozo morno de um sexo frouxo.

O que antes era nó, hoje corda corroída
Culpa do tempo, talvez
Certamente, não só dele.

Foi-se o que havia
E coisas como essas vão
Sem direito a retorno.
Moíra Avelino

Arte: Casal      
por Rogério Fernandes                                                                                                                          

Esquizofrenia Controlada

Hoje foi um dia difícil
Dia de dopar instintos;
Aquietar sentidos;
Rivotrilizar a alma.


Moíra Avelino.

Veneno

Descendo, sem perspectiva
Nada brota deste solo infértil
O ar é rarefeito e
Sinto o peito apertar
Sufocando l-e-n-t-a-mente meu futuro.

Triste!

Culpa das minhas escolhas
Sempre feitas como se o próximo passo fosse certo.

Errada!

Se hoje a boca é seca e o gosto dos lábios é amargo
Não posso culpar a vida, pois a mim coube
A escolha do frasco.


Moíra Avelino.

Cativa

Você... Usou, traiu, deixou
Deixou de ser, mas não de possuir
Sob a tua guarda- feroz escolta- fiquei
Iludiu, manipulou, mentiu, feriu.
Feriu a ponto de não mais sentir dor
Cada lágrima, tão singular, queimou
Queimou a pele, por dentro corroeu.

Tua identidade era a minha moldura
Uma prisão cercada por muros invisíveis, indestrutíveis

Teu toque minha algema;
Tuas palavras minha venda;
Teu corpo minha política;
Tua existência minha ciência.
Dominação.
Cada poro hermeticamente vedado
A minha privação o teu mundo, a tua felicidade.


Moíra Avelino.

Mo-vi-mento


No silêncio da inquietação noturna
Meus pensamentos voam rasgando o tempo
A procura do seu toque, das palavras.

Meus dedos, em compasso, correm pelo corpo

O desejo rasteja sobre a pele,
O pelo e
nrijece.
As lembranças são tão ferozes quanto as minhas mãos
Continuo e me sinto ... Bem!
A
inda que vazia

Toca o toque e permaneço ainda que não preenchida

Frenético o pulsar dos músculos, todos eles tão meus,
Alcançando o próprio nascer e poente.


Moíra Avelino.

Descoberta

Desbrava-me, desbrava-me!
Corre teus dedos pelas minhas costas
Desbrava-me !
Conheça meu cheiro, sinta meu sabor
Avance sobre o meu corpo como um mar enfurecido
Deixe sua língua lamber a minha langue
Faça de conta que nunca sentiu o meu corpo e mergulhe
Desbrava-me!
Transborde seu amor no meu desconhecido
Conheça o que eu não conheço
Veja o que eu não posso ver
Nua, descoberta
Desbrava-me, desbrava-me!
E todos os dias juro uma nova mulher renascer.



Moíra Avelino.

Vou e fico ao som dos seus gemidos
Toda ânsia, angústia e dor engolidas pelo furor das mãos
Sufocadas pelo enlace das coxas

Sobrepostos nossos corpos, unidas nossas almas.

Devaneios em suor, palavras e amor
O tempo se perde, o lençol se inverte
As pernas puxam, trancam, repuxam
Os braços em abraços querem estar mais perto
O intangível se desfaz ao encontro dos olhares seguros do desejo
Sentir, possuir, ser!

...
Pós- êxtase
...

A serenidade aflora a medida que o cansaço desliza entre nossos músculos antes ansiosos, tensos, tão rígidos.

Agora e sempre completos, inteiros, únicos.



Moíra Avelino.

Um antigo sonho


A luz da piscina à noite refletindo em seus olhos
Nós dois conversando, tentando evitar olhar nos olhos com medo que a sinceridade floresça
O vinho, o cigarro...
Nossas mãos se perdendo para não se encontrarem
Tinha me esquecido de como é bom perder a noite para ganhar o dia.
E agora?
Os assuntos sumiram, nossos olhos se cruzam, nossas mão se encontram
Seu rosto chegando junto ao meu e o inevitável acontece...

Eu acordo!



Moíra Avelino.

J'aime

Barba, cheiro... São beijos, enlaces, carinhos
Suor, mãos, cintura
Os seios são meus, as pernas são suas
Seus dedos suaves em meus cabelos
Toques avulsos, às vezes incompletos, sempre inteiros
As palmas se fundem, as mentes se ligam, as peles se confundem, as salivas se misturam
Numa conta impossível
De dois nos multiplicamos em um
Nos dividindo sem permanecermos os mesmos.


Sempre, sempre, sempre...
Nós atados.



Moíra Avelino.

Blogando

O que gosto, o que quero.

Para futucar :

  • The First 90 Days, Updated and Expanded: Proven Strategies for Getting Up to Speed Faster and Smarte LISTEN NOW Author: Grover Gardner, Gildan Medi...
  • Tenho os olhos cansados e os dedos inquietos porque sou de Áries. As unhas, muito limpas, descascam do fino das horas um desejo requintado e elegante como um...
  • Quero, logo existo Querer me interessa mais O querer me lança no infitino E no íntimo sentido de viver Quero de dentro pra fora Quero agora e quero alent...
  • Fecho os olhos Pra poder te encontrar Num oceano de flores, Pra me fazer flutuar Entre cachinhos De sol e nuvem. Sinto o gosto Da palavra ao cantar O instan...
  • pus uma tenda mística no centro: "leio mãos" em Braille. e digo silêncios entre os carinhos prevejo futuros com letras de Bethânia e Gal
  • poética masturbação na intenção dela.
  • E da falta de inspiração nasce a rima, A tortuosa poesia dos dias, Que aparece nas flores da janela, Nas cores da favela. Eu vazia e cheia, Me perguntando se...
  • O barulho das gotas do chuveiro mal fechado pingando pigando pingando me incomoda tanto que é quase eu que escorro pelo ralo da minha paciência. Tortura ...
  • Minha intenção era escrever sobre a pior coisa do mundo, mas como eu ando muito revoltado com a vida, odeio muitas coisas, então acho mais fácil escrever s...

Companhia

- Nothing sweet - About me

Minha foto
[Ser ou ser, não há questão.] Moka, para os íntimos. www.formspring.me/moiras

Arquivo M.